SINTONIA COM A MARA

SINTONIA COM A MARA - Outubro Rosa

SINTONIA COM A MARA - Outubro Rosa
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Outubro é primavera. Hortência, Yasmin, Íris, Érica, Daisy, Rosa. Outubro é para lembrar que nem tudo são flores. O câncer de mama acomete, principalmente, mulheres. Em geral, acima de 40 anos. Porém, se for detectado e tratado nas fases iniciais, tem grande chance de cura.

A mulher deve conhecer o próprio corpo. Saber o que é normal e anormal. Realizar o autoexame e exames periódicos, segundo indicações médicas. Alterações na cor e textura da pele, nódulos, geralmente, indolores na mama, axila ou pescoço e presença de líquido nos mamilos são sinais de alerta. Porém, algumas doenças benignas, também, apresentam essas características.

O diagnóstico de câncer pode desencader raiva, negação, incertezas e percepção da doença como castigo. Quadros depressivos, de ansiedade e isolamento social são comuns e, devem ser respeitados. O apoio e acolhimento efetivos de uma equipe multiprofissional, do companheiro, de familiares e amigos têm efeitos significativos e positivos nos resultados do tratamento.

O imaginário social e a desinformação, além de intensificarem o medo de ter uma parte do corpo retirada e sofrer rejeição, exigem, da mulher, um enorme sofrimento e esforço para aceitar e adaptar-se à nova imagem corporal.

Atualmente o tratamento é menos mutilante, individualizado e abrangente. Ao realizar o diagnóstico, o médico deve esclarecer todas as opções de intervenções, possibilidades de cura e restauração estética. A paciente deve ser encaminhada para os serviços de psicologia e psiquiatria. A psicoterapia deve ser individual, mas, as orientações devem se estender aos cônjuges e familiares. A informação favorece o fortalecimento da rede de apoio, a aceitação, o modo de lidar com a paciente e a elaboração dos sentimentos dos próprios familiares.

O enfrentamento e superação da doença dependem da valorização da mulher acima da erotização da mama e da conscientização da sexualidade e prazer, além da aparência e forma estética. A identidade feminina é muito mais do que mamas e glúteos. Fundamenta-se na personalidade e nos valores pessoais da mulher.

A prevenção inclui alimentação saudável, controle de peso, atividades físicas regulares, evitar consumo de bebidas alcoólicas, não fazer reposição hormonal sem acompanhamento médico. A amamentação é, também, um fator de proteção. É fundamental descobrir o tumor precocemente. Os meios mais utilizados são o autoexame e a mamografia.

Discutir o câncer de mama é estimular a prevenção e o autocuidado. Incentivar profissionais de saúde a prestarem serviços mais personalizados e humanizados. Superar o estigma de morte, impregnado na história sobre o câncer, e a vergonha. Combater as crenças de comprometimento estético e seus efeitos negativos na sexualidade e feminilidade, incutidas na mentalidade global, difundidas e reforçadas por diversas culturas e pelas mídias.

Informe-se! Se toque! Se cuide!


Mara Lúcia Madureira

Psicóloga