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NOVO ARTIGO - O ritmo cardíaco e os marcapassos

NOVO ARTIGO - O ritmo cardíaco e os marcapassos
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel - Cardiologista e Cirurgião Cardiovascular

Antes da discussão acerca dos dispositivos eletromagnéticos denominados marcapassos cardíacos artificiais, é mister salientar que o coração humano é dotado de um sistema elétrico autônomo, responsável pelo comando e ritmo dos batimentos cardíacos. O coração humano, portanto, possui um sistema de marcapasso natural, constituído de fibras especializadas na condução do impulso elétrico.

Para melhor compreensão, o coração humano apresenta algumas “estações” ou “unidades geradoras” de impulso elétrico. Nestes sítios, células especializadas encontram-se agrupadas para gerar, em conjunto, um impulso, o qual será transmitido à próxima “estação” por fibras e/ou feixes especializados.

Interessantemente, a sequência de transmissão do impulso elétrico, de uma “estação” para outra, influencia significativamente o valor numérico de nossa frequência cardíaca. De acordo com as características desta sequência de transmissão, o valor numérico de nossa freqüência cardíaca poderá ser compatível com níveis fisiológicos, ou até sub e supra-fisiológicos. Em outras palavras, a freqüência cardíaca será estável mediante transmissão do impulso de uma “estação” para outra, sem que haja interferência de processos isquêmicos, infecciosos e degenerativos. Na doença de Chagas, por exemplo, pode-se identificar alterações na sequência usual de transmissão do impulso e, por conseguinte, bloqueios cardíacos como também arritmias serem deflagrados.

À luz de alterações da freqüência cardíaca, em decorrência de algumas situações clínicas já exemplificadas, criou-se um dispositivo eletromagnético – marcapasso cardíaco artificial – cuja função precípua era modular a freqüência cardíaca em prol da estabilidade hemodinâmica. Indubitavelmente, foi um marco, uma revolução na cardiologia e cirurgia cardiovascular.   

O “modus operandi” do marcapasso cardíaco artificial pode ser elucidado primeiramente por sua composição – uma bateria e alguns cabos ou eletrodos,os quais estimularão artificialmente o coração, segundo um conjunto de orientações previamente programadas.Tradicionalmente, indivíduos com freqüência cardíaca natural muito baixa tornar-se-ão muito sintomáticos e limitados em suas atividades diárias.Dessa forma, o implante de um marcapasso cardíaco artificial possibilitaria a restauração da freqüência cardíaca fisiológica e a reinserção do indivíduo em seus afazeres usuais.

No entanto, com o aprimoramento tecnológico dos marcapassos cardíacos artificiais, outros dispositivos mais sofisticados foram desenvolvidos, como o desfibrilador e ressincronizador.  Os desfibriladores são dotados da função básica de modulação da frequência cardíaca, mas também detectam e revertem alterações do ritmo cardíaco como taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. Após o surgimento dos desfibriladores, a taxa de morte súbita, sobretudo em atletas e esportistas, decresceu substancialmente.

Os ressincronizadores, por sua vez, são dispositivos dotados de diversas funções como a modulação da freqüência cardíaca e a capacidade de harmonizar, cronologicamente, o trabalho eletromecânico dos ventrículos direito e esquerdo do coração. Para melhor compreensão, os ventrículos direito e esquerdo contraem e relaxam em momentos distintos, não simultaneamente. Esta diferença é da ordem de milissegundos portanto imperceptível ao olho humano. A função precisa deste tipo especial de marcapasso é essencialmente reorganizar este intervalo de tempo e permitir que a ejeção do coração seja mais efetiva.

www.coracaomoderno.com.br

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel 

Cardiologista e Cirurgião Cardiovascular

Professor Livre–Docente

CRM 105226


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