BEM-ESTAR

Chocolate e saúde cardiovascular

Chocolate e saúde cardiovascular
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel - Cardiologista e Cirurgião Cardiovascular

Ele é um alimento que não envelhece. Surgiu conjuntamente com o despontar de muitas civilizações e, mesmo assim, adquiriu longevidade, tradição e constantemente se renova para atender as preferências e as mais diversas tendências. Todos estes atributos para homenagear o chocolate, alimento de unanimidade quase absoluta.

Indubitavelmente, o chocolate, com seus diversos formatos e apresentações, faz parte da rotina das famílias e, mais recentemente, muitas de suas propriedades e efeitos foram apontados como benéficos ao corpo humano, sobretudo ao coração.

Muitos conceitos nutrológicos têm agregado valor considerável as terapias farmacológicas convencionais e, dessa forma , patologias que outrora eram tratadas exclusivamente por meio dos fármacos, podem, na atualidade, receber abordagem mais ampla. Neste contexto, o chocolate tem sido útil, de forma coadjuvante, na atenuação de quadros depressivos, insônia, desordens hormonais e distúrbios cardiovasculares.

O principal componente do chocolate é o cacau. A concentração do cacau tem relação direta com o gosto amargo. Quanto maior a concentração de cacau, geralmente um valor percentual acima de 70, mais intenso será o gosto amargo. O cacau é rico em substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes, notadamente os flavonoides e o ferro. Os flavonoides auxiliam na neutralização e eliminação dos radicais livres, os quais são resíduos metabólicos nocivos do metabolismo humano. No tocante à proteção cardiovascular, os flavonoides exercem efeitos anti-inflamatórios nas artérias e veias do corpo, reduzindo a formação de placas de gordura e sendo úteis na prevenção de eventos como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Em muitas situações, o chocolate, devido ao seu teor de ferro, pode ser utilizado como coadjuvante no tratamento da anemia e na recuperação calórica e energética.

Quantidades ótimas de cafeína e magnésio também fazem parte da composição de um chocolate rico em cacau. As propriedades da cafeína incluem melhor disposição física e mental para as atividades laborais e diárias, termogênese e maior capacidade de queima calórica e ativação global da circulação sanguínea, favorecendo algumas habilidades como memorização e concentração.

As funções orgânicas do magnésio são essenciais à vida, destacadamente seu papel regulador da eliminação de resíduos metabólicos tóxicos e radicais livres. Além disso, desempenha papel fundamental na contração muscular, regulação do metabolismo do cálcio e controle da pressão arterial e do ritmo cardíaco. Dessa forma, para pacientes portadores de hipertensão arterial e arritmia cardíaca, o consumo moderado de chocolate amargo pode ser empregado em conjunto com as medicações convencionais.

Dentre os hormônios mais conhecidos no âmbito da plenitude e bem-estar estão a serotonina e a endorfina. A serotonina é sintetizada no intestino e exerce papel essencial no controle da ansiedade e na redução de sintomas como fadiga e irritabilidade. O consumo moderado de chocolate amargo pode estimular a síntese da serotonina, tornando as pessoas mais dóceis, calmas, equilibradas e, subsequentemente, minimiza as complicações do estresse emocional. Para aquelas pessoas que rotineiramente são irritadiças e impulsivas e que apresentam picos de pressão arterial, palpitações, sudorese excessiva e dor no peito, o consumo do chocolate amargo certamente é um aliado saudável e apetitoso. Para aquelas pessoas extremamente calmas e tolerantes, também é válido o consumo de chocolate, nestes casos para fins profiláticos. As endorfinas são produzidas pelo cérebro e participam ativamente do processo de analgesia, inclusive auxiliando indiretamente no controle da pressão arterial.

Do ponto de vista cardiológico e nutrológico, o consumo de chocolate amargo deve ser priorizado em relação ao chocolate branco. Embora muitas vezes mais palatável, o chocolate branco é rico em gorduras, aumentando o risco de desenvolver dislipidemia e diabetes. O chocolate branco possui quantidade consideravelmente menor de antioxidantes e micronutrientes, contribuindo pouco para a proteção cardiovascular.

Assim, para proteção cardiovascular e obtenção dos efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e aumento da síntese de serotonina e endorfina, recomenda -se consumo preferencial do chocolate amargo ou meio amargo, na quantidade diária de 10-30g, o que corresponderia a um tablete pequeno.


www.coracaomoderno.com.br

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel 

Cardiologista e Cirurgião Cardiovascular

Professor Livre–Docente

CRM 105226


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